Você pratica o amor ou o apego?


Quando você acredita que está realmente amando alguém, você quer que o outro seja feliz independente de estar com você, ou só consegue desejar que o outro seja feliz enquanto está do teu lado? Quando você fala por aí que está amando alguém, você entende que ninguém é perfeito, que o outro vai te decepcionar em algum momento da vida, que as pessoas são livres e que por isso, a qualquer momento podem desejar ir embora? Ou você projeta uma perfeição inexistente em alguém pra corresponder as suas expectativas? Ou você deposita a tua felicidade nas mãos de alguém, achando que o outro não tem o direito de ir embora da sua vida, porque sem ele você não consegue mais ser feliz?

Praticar o amor não é achar que o outro te deve algo, é amar sem medida alguém que você se sinta seguro pra ser quem você é. O amor é um sentimento genuíno e natural, e praticá-lo é doar-se por completo, é não ser egoísta pensando só em si mesmo, amor é abrir o peito e viver sem medo. Praticar o amor tem muito mais a ver com doar o que você tem de mais bonito e inteiro, é saber onde estar entregando o seu amor e em qual terreno você está plantando o seu sentimento, porque amor precisa ser reciproco, você não tem que implorar por atenção, por uma ligação, você não precisa pedir ao outro que apareça, que te enxergue ou que te tolere com os seus medos mais toscos, suas manias mais irritantes e seus planos mirabolantes. Praticar o amor não é se moldar num mundo que não te pertence, é perceber que o mundo do outro muitas vezes será diferente do teu e estar pronto pra somar.

Quando você se apega, você não consegue pensar na possibilidade de fazer certas coisas sem o outro, você acaba colocando o outro como uma necessidade na tua vida pra completar a sua felicidade. Você não consegue enxergar que viver momentos sozinho, pode sim, torná-los tão memoráveis quanto vivê-los com o outro. 

Quando você ama, você quer ficar mas ainda assim consegue entender quando não existem mais motivos pra permanecer. Quando você ama, você tem vontade de continuar, você consegue ter forças pra continuar uma relação que você acredita, mas precisa estar ciente de que amar não é estagnar-se, amar não é estacionar o teu peito em algo que não te faz mais bem, não é ancorar a tua alma em mares rasos, não é aterrizar em um corpo que não te deixar voar de novo.

Quando você se apega, você não consegue pensar em ir embora mesmo que as coisas estejam péssimas, você pensa em continuar porque acredita que o teu amor é maior que tudo, inclusive, maior que as suas dores e desconfortos que alguém possa te causar.

Você acredita que ir embora pode ser uma péssima opção mesmo que a vida te esfregue na cara que você não precisa passar por aquilo, mesmo que o tempo te mostre que ele corre depressa e você só está o perdendo insistindo em ficar com alguém que não te trata bem.

Praticar o amor têm muito mais a ver com se sentir preenchido por si mesmo e ficar com o outro apenas pra aprender, ensinar e apreciar o que ele possui de mais sensível e interessante, e não esperar que o outro preencha espaços que você não consegue preencher sozinho.

Estar só não significa ser sozinho.



Dia desses, analisando um ex-relacionamento do qual me tornei totalmente dependente dele, cheguei numa conclusão de que a gente não precisa necessariamente de alguém pra se sentir feliz e completo. É um absurdo acreditar nessa necessidade de ter alguém pra fazer da nossa vida, algo mais interessante.

Hoje eu penso assim: da mesma maneira que me imagino incluindo alguém nos meus finais de semana pra assistir um filme qualquer debaixo de um edredom comigo, ou fazendo planos e pensando em viagens nas férias, eu consigo perfeitamente me imaginar fazendo tudo isso e muito mais sozinho, sabe?

Claro que penso em ter alguém pra me ligar e falar como foi o dia de trabalho, me contar sobre os seus segredos e confusões e ouvir os meus medos e as minhas confissões. Confesso que é mágico ter alguém te fazendo um cafuné enquanto você conversa sobre o mundo. É foda ter alguém que você possa abraçar quando o teu dia for uma merda. É muito bom ter alguém pra te ouvir quando tudo que você precisa é desabafar, é bom ter alguém pra dividir o peso contigo, mas isso não deve ser uma necessidade, entende? Você pode preencher tudo isso sozinho, acredite.

Ter alguém na tua vida pra se sentir inteiro e feliz não deve ser uma necessidade em hipótese alguma. Querer alguém ao teu lado pra preencher espaços na tua vida não deve ser tua urgência porque você é capaz de preencher  os seus espaços consigo mesmo. Você não precisa ter alguém pra se sentir realizado. E é por isso que acredito, defendo e levo como mantra pra vida a frase: ''Estar só, não significa ser sozinho''.

Eu posso ir ao cinema, comprar uma pipoca grande e um refrigerante de 500 ml, assistir ao filme até o final sem sequer desejar ter alguém ao meu lado. Estar só é muito mais aproveitar momentos e aprender a valorizá-los com a minha companhia, é viver a vida intensamente e ter em mente que eu posso sim fazer milhares de coisas sem necessidade de alguém ao meu lado. Estar só significa que nada do que farei sozinho será um tédio e pode sim ser tão memorável quanto ter vivido um instante com alguém. Estar só significa que eu posso seguir um caminho, mudar a rota na metade da viagem e ancorar a minha alma em qualquer lugar desse mundo, porque estar sozinho não vai me fazer ter medo, receio ou me sentir inseguro. Estar só nada tem a ver com se sentir só.


Você pode pedir uma pizza, escolher uma série na Netflix e assistir uma temporada inteira sem sequer se perguntar o por quê de estar fazendo isso sozinha. Se sentir bem consigo mesma não te deixa pensar na possibilidade de ter alguém ali pra melhorar um pouco a tua vida, porque no final das contas a tua vida já está foda pra caralho com você mesma que você não sente necessidade de preencher espaços com alguém. Esses espaços já estão ocupados preenchidos com a suas necessidades.

Esse texto pode soar um pouco egocêntrico, mas pensa comigo, temos tantas oportunidades que por vezes desperdiçamos só por não querer aproveitá-las sozinhos, temos tantos planos, viagens que podemos fazer sozinhos e tornar caminhos da nossa vida ainda mais intensos além de viver momentos inesquecíveis. 


Você precisa estar bem consigo mesmo, amar a sua companhia, e por mais que às vezes você esteja só, não se sinta sozinho. Lembre-se que estar só não significa ser sozinho, como estar com alguém não significa estar acompanhado. Você pode estar com alguém e ainda assim, se sentir só. As pessoas sentem necessidade de estar e ter alguém ali do lado quando na verdade essa necessidade pode ser preenchida consigo mesmo. Por isso eu não perco mais o meu tempo com pessoas e relações complicadas ou confusas.

Ame e defenda os seus momentos de solitude. 

Sou aquele tipo de pessoa que parece cada vez mais estar em extinção.

Eu sou aquele tipo de pessoa que às vezes se preocupa mais com o outro do que consigo mesmo, aquele tipo que tem um medo danado de machucar alguém, que muitas vezes prefere se machucar e amadurecer com isso que se tornar a decepção de alguém. Sou aquele tipo de pessoa que em um relacionamento procura ser sempre sincero e transparante e por isso espero que o outro, seja no mínimo, sincero também. Eu sou aquele tipo de pessoa que, mesmo com medo, se envolve, mesmo com receio e uma certa insegurança, paga pra ver no que vai dar. Às vezes acaba dando em alguma coisa, outras vezes não dá em absolutamente nada. E paciência! Eu sou aquele tipo de pessoa que por mais que esteja machucado e decepcionado com as pessoas, não desconta as frustrações nos próximos amores. Eu sou aquele tipo de pessoa que não tem mais paciência pra flertar pela Internet. Aquele papo de: "Oi tudo bem? quanto anos? faz o que da vida?" Acho cansativo demais. Sou aquele tipo de pessoa que gosta da naturalidade das coisas. De esbarrar em alguém, trocar olhares, puxar um assunto. Aquela coisa bem antiga e clássica, sabe? Talvez eu seja aquele tipo de pessoa que parece cada vez mais estar em extinção. Sou aquele tipo de pessoa que não consegue entender porque as pessoas costuma sumir da vida das outras e deixar o outro se virando com a saudade sozinho. Eu sou aquele que, mesmo depois de um fim, consegue enxergar que valeu a pena. Aquele tipo de pessoa que prefere agradecer por ter vivido, ensinado e aprendido com o outro, que simplesmente ignorar tudo e seguir em frente. Sou aquele tipo que pensa que pra seguir em frente, eu preciso antes dizer ao outro o quanto ele foi importante pra mim e não fugir do outro e deixar que ela se vire com as expectativas que construiu, com a saudade e todo o resto. Confesso que muitas vezes eu sumi, desejei que o outro ficasse bem mesmo sabendo que não ficaria e fui embora, muitas vezes fui aquela pessoa que ligava o ''foda-se'' pro sentimento do outro e ia embora como se nada tivesse valido a pena. Mas ainda bem que o tempo passa, novas pessoas chegam em nossas vidas, a vida ensina e gente sempre aprende mais.

Hoje sou aquele tipo de pessoa que não gosta de sumir da vida das outras pessoas sem dizer nada, que sente necessidade de conversar e falar ao outro o porque de estar indo embora. Sou aquele tipo de pessoa que, por mais que não seja obrigado a nada nessa vida, se preocupa com os sentimentos do outro. Aquele tipo de pessoa que leva como um mantra pra vida aquele velho ditado: ''Não faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você.''

Sou aquela pessoa difícil de me apaixonar por alguém, mas quando se apaixona dá tudo de si, mergulha de cabeça sem nem conferir a profundidade do outro, porque se não for pra ser intenso, se não for pra sentir, eu nem me dou o trabalho de me integrar por inteiro. Eu sou aquele tipo de pessoa que geralmente se fode quando se trata de amor, mas que mesmo esbarrando em pessoas rasas e tropeçando em gente superficial demais continua de pé e acreditando no amor, acreditando que um dia irei esbarrar em alguém intenso, inteiro e interessante.

Eu sou aquele tipo de pessoa que dizem por aí estar cada vez mais difícil de encontrar e que prefere seguir firme e forte, sendo sincero com o outro e consigo mesmo, se preocupando consigo e principalmente com o outro porque as pessoas não são produtos, as pessoas possuem sentimentos e eu não quero ser só mais uma pessoa escrota nesse mundo que está cada vez mais difícil encontrar alguém foda.

Porque eu prefiro ser aquele tipo de pessoa que o outro agradeça por ter conhecido do que ser alguém que o outro comemore por ter ido embora.

Às vezes é só uma questão de sorte e timming pra encontrar alguém bacana.


Esses dias parei pra pensar: ''se existe tanta gente bacana por aí, porque as ultimas pessoas com que me relacionei só foram babacas, sacanas, covardes com os seus próprios sentimentos e de alguma maneira, mentirosas?''. Percebi que encontrar alguém bacana hoje em dia é tão difícil quanto ganhar na loteria. E às vezes, quando a gente encontra é mais difícil ainda manter essa pessoa com a gente. Ou a gente estraga tudo com as nossas expectativas ou o outro, simplesmente, perde a vontade de ficar. Assim mesmo, do nada, sem motivos.

Depois de um longo relacionamento, me vi trancando todas as portas e janelas pra novas pessoas. Me vi trocando as fechaduras, colocando cadeados e fugindo de qualquer possibilidade de me relacionar de novo. Nesse período, pessoas aparentemente legais chegaram até mim mas não tiveram espaço algum, pessoas bacanas tentaram me conhecer, procuraram por alguma brecha pra ficar na minha vida e eu simplesmente, não conseguia abrir espaço pra essas pessoas. Eu não conseguia me envolver, não conseguia me encaixar em ninguém, sabe?  

Até que resolvi instalar um desses aplicativos de pegação que as pessoas se exibem como um produto e adicionam ou descartam umas as outras com um só clique. Comecei a conhecer novas pessoas e quanto mais eu conhecia mais me batia medo de continuar disposto a conhecer. No final, conheci mais pessoas idiotas que legais, outras não tive nem a oportunidade de conhecer porque sumiram antes disso. Mas acredito fielmente que, no meio de toda essa gente em aplicativos, exista um ser decente.


Comecei a pensar: Será que pessoas legais se apaixonam por pessoas escrotas e não por outras pessoas legais. Daí pessoas legais se machucam e tornam-se escrotas também?
Quase me tornei uma dessas pessoas escrotas. Até que no meio do caminho acabei conhecendo uma pessoa foda. Uma dessas pessoas que você se sente confortável pra contar sobre a sua vida, sabe? Daquele tipo que você passa a madrugada conversando sobre discos, séries, livros ou qualquer outro assunto aleatório. Do tipo que você não tem medo de escancarar os seus defeitos e os seus conflitos, que te faz se sentir bem, que é uma boa companhia pra ouvir o disco inteiro do Chico Buarque, comer uma pizza, transar durante a madrugada, assistir um filme e dormir antes do fim. Aquela pessoa que aparece pra puxar assunto, que elogia, que se preocupa. Mas que no final das contas, não é por ela que você se apaixona, não é ela quem te faz ter motivos pra ficar, não é ela quem acelera o teu coração e te faz perder o equilíbrio das pernas. É uma pessoa foda, mas não é aquela pessoa que te faz sentir uma vibração, que te faz perder a direção e a noção do tempo. É só mais uma pessoa certa que apareceu na tua vida no momento errado.

Às vezes a gente gosta de alguém e esse alguém bagunça a gente todo. Depois quando chega alguém legal, maravilhoso, você já têm se trancado por medo. Penso que a gente gosta mesmo é do perigo, de quem tira a gente dos trilhos, de quem vira a vida da gente de cabeça pra baixo, de quem tira o sono e faz o coração da gente de gato e sapato. É por aquela pessoa que de vez em quando some sem dar satisfação que a gente se apaixona. É por quem arranca a direção da gente e pisa no acelerador que a gente se interessa.

Às vezes é só uma questão de sorte e timming pra encontrar alguém bacana e esse alguém te encontrar como se você fosse a pessoa que ele sempre esteve procurando. É muito louco isso. Tanta gente bacana por aí e você vai querer ficar logo com uma que vai te enlouquecer.

Ninguém é obrigado a gostar da gente. E tá tudo bem.


A gente tem uma muita dificuldade em lidar com a rejeição, né? Só de imaginar em ser rejeitado o ego se revida dentro da gente. Mas o que não entendemos é que ninguém é obrigado a gostar da gente, ninguém tem a obrigação de querer estar ao nosso lado se não quiser, ninguém deve ficar com a gente se a vontade for de ir embora. As pessoas tem zero obrigação de gostar da gente porque ninguém é obrigado a querer ninguém e tá tudo bem. 

Quem já ouviu um ''eu não gosto mais de você'' sabe que não é a frase mais agradável do mundo. Ouvir alguém que você ama pra caralho dizer na tua cara que não gosta mais de você dói e não dói pouco. A gente tenta encontrar respostas pra justificar o porque que o outro não quer mais ficar. A gente tenta convencer o outro que ele só pode estar errado, que a gente pode tentar mais uma vez e quem sabe, aprender a fazer o outro gostar da gente. Mas as coisas não funcionam assim. O coração nunca obedece nossas ordens, o destino é traiçoeiro e as pessoas são imprevisíveis demais quando o assunto é sentimento. 

Quando a gente começa a se apaixonar e entender que definitivamente estamos envolvidos, a gente inevitavelmente começa a pensar que o outro tem a obrigação de sentir exatamente o que estamos sentindo. Mas a gente não tem como definir o momento em que o outro vai começar a gostar da gente ou o dia em que ele vai decidir ir embora. As coisas simplesmente acontecem quando têm que acontecer. Às vezes o outro não consegue gostar da gente e o que resta a se fazer, é deixá-lo ir embora, aceitar a despedida e aprender a lidar com isso. 

Alguém já me disse um ''eu te acho foda, mas não gosto mais de você.'' e eu simplesmente não tive respostas. Eu não podia pedir pra ele voltar gostar de mim de novo. Não podia implorar pra que ele não deixasse de gostar, porque isso não se pede. Ele gostou, não gostava mais, cabia a mim lidar com esse fato. Tudo o que eu podia fazer a partir dali, era dizer pra mim mesma: ''tá tudo bem, vai ficar tudo bem.''

Alguém não gostar de você não faz de você uma pessoa ruim ou desinteressante e quem não consegue gostar de você na mesma proporção também não é uma pessoa ruim por isso. Quantas pessoas já gostaram de você e você não foi capaz de gostar de volta? Gostar de alguém não vem com um manual de instruções. Não existe tutorial pra aprender a gostar de alguém, não se gosta de alguém assistindo algum vídeo no Youtube ''como gostar de uma pessoa ou fazer essa pessoa gostar de volta.''

Gostar tem que ser autêntico, tem que acontecer naturalmente, tem que ser leve e espontâneo. Você pode até tentar gostar de alguém, pode até conhecer alguém interessante e tentar gostar dessa pessoa, mas no final das contas você percebe que, quando você tenta premeditar as coisas não funcionam. Gostar não precisa ser metódico.

Não pense que a reprovação de uma pessoa significa que você não é alguém interessante. Saiba que o outro tem toda liberdade de não gostar da gente e por isso, escolher ir embora. Entenda que gostar às vezes não acontece na mesma proporção que esperamos,  às vezes o outro só esta em um momento da vida bem diferente do seu, sabe? Às vezes a outra pessoa  amou mesmo te conhecer, saber dos seus planos e sonhos, conhecer um pouquinho a tua bagunça e só. Não minimize a tua pessoa ou diminua o tamanho de alguém porque esse alguém não te quis. 


Não escolhemos pelo quê ou por quem a gente vai gostar. E tá tudo bem.