o amor próprio nem sempre vem na primeira tentativa


antes de aprender a me amar...
lembro de ter me culpado. de ter jogado nas minhas costas todo o fardo dos relacionamentos que foram um fracasso. lembro de ter perdido o sono, por mergulhar em minhas próprias paranoias enquanto me convencia de que eu nunca seria suficiente pra que alguém ficasse, como se fosse uma necessidade ter alguém ao meu lado.


lembro de ter me deixado pra trás, de ter duvid
ado da minha capacidade de amar outra vez só porque alguém me fez, por um instante, desacreditar no amor. lembro de ter me maltratado pelas escolhas dos outros, porque eu achava que a partida e o silêncio do outro era minha culpa.

eu realmente acreditava que se o outro escolhesse partir, era por ter algo de errado comigo, com meu corpo, com a minha maneira intensa de amar. até eu compreender que o amor e que a intensidade que carrego não são o problema.

às vezes aquilo que a gente tem não é o suficiente pra que alguém fique. e paciência.

eu lembro de me odiar por muito tempo. por perceber que não eu não era levado a sério, e mesmo assim, não conseguia ter coragem de ir. porque a gente sempre sabe quando a gente não faz mais diferença pra alguém. a gente sabe quando machuca, quando não existe mais vontade, quando não cabe mais o nosso amor.

o amor próprio nem sempre vem na primeira tentativa, ou segunda, ou décima quarta. mas ele vem. 

a gente vai aprendendo aos poucos a ser a nossa própria morada, a transformar a nossa intensidade em algo que caiba perfeitamente em nós mesmos. um dia a gente aprende a genuinidade de ser o amor da nossa própria vida e saber que isso não é egoísmo ou egocentrismo, é sobrevivência. é respeito ao que a gente sente, ao nosso corpo, a gente por inteiro.

ei, vamos falar sobre você?

você que anda se culpando mais do que se perdoando.

que sempre que erra, carrega consigo os erros como se fossem fardos, quando na verdade, eles fazem parte de você, e são com os seus erros que você precisa aprender.

você que se maltrata sempre que alguém não fica o tempo que você esperava. que se questiona e duvida da sua capacidade, do seu corpo, da sua essência.

você que se pergunta, a cada pessoa que parte: o que foi que eu fiz dessa vez?

eu quero te falar umas coisas.

primeiro, compreenda que o seu amor, por mais intenso e sincero que possa ser, às vezes será recusado. e eu sei que isso dói, e que você não consegue entender porque o outro não aceitou.

já parou pra pensar que se o outro não sente o mesmo por você, as coisas não acontecem? e é melhor mesmo que não aconteçam. que se encerrem. vai por mim.

depois comece aceitando também que algumas vezes não vai ser no tempo que você quer. e você não precisa se martirizar por isso. as coisas acontecem quando precisam acontecer. no tempo certo, porque assim é melhor. é mais leve.

para de pensar que o teu corpo fez alguém partir. que o teu jeito fez alguém perder o interesse. que a tua intensidade assustou. você não precisa se culpar todas as vezes que os outros escolhem ir embora. as pessoas vão partir, se assim quiserem. e é melhor que você entenda isso.

o que fazer? viva o que tiver pra viver. da forma mais profunda e intensa que você sabe muito bem. se não for pra ser, abra passagem pro outro ir. tá tudo bem chorar no outro dia, sentir falta durante um tempo, mas você não precisa implorar pra que fiquem ou segurar as pessoas por medo de perdê-las.

a prioridade sempre foi não se perder, lembra?

tá tudo bem errar. tudo bem ser trouxa mais uma vez. tudo bem ter se entregado pra alguém que não te levou a sério. tudo bem ter deixado algumas séries de lado só pra ver alguém que só te queria, pra passar o tempo.

o que importa é que você não perca a sua essência mesmo com tanta gente rasa que passou por você.

eu não te conheço, mas eu sei que se você leu até aqui, é porque você é afeto. e ser afeto nos dias de hoje, é foda pra caralho.

quando alguém gosta da gente, a gente sabe. a gente sente.

quando alguém gostar de você de verdade. você vai saber. 

porque quando alguém gosta da gente, esse alguém faz de tudo pra estar presente, essa pessoa se importa. mesmo distante, tem interesse em saber de você. em ouvir com atenção você falar sobre os seus medos. 


quando a gente gosta, a gente quer tá perto, quer saber do outro, sente saudades e procura prontamente. quando alguém gosta da gente, a gente sente. é mais do que receber uma mensagem há uma semana atrás, é muito mais do que te chamar pra sair só quando convém, sabe? 

porque quando alguém gostar de você, esse alguém vai querer que você fique, porque a tua presença importa. 

mas se você não tem certeza, se você ainda tenta se convencer de que o outro realmente gosta de você, ou se você está em duvida sobre ir ou ficar, é porque você está onde não deveria permanecer. recebendo o pouco que talvez nem mereça. 

e o melhor a se fazer, é partir. você sabe não é?

gente ansiosa também ama.

gente ansiosa também ama, o problema é que às vezes sentir nos sufoca.

a gente acha que precisa ser presente, o tempo todo, não somente porque a ausência incomoda, mas porque o silêncio faz a gente mergulhar em nossas próprias paranoias. 

gente ansiosa também ama, ama pra caramba, ama tanto que se afoga no próprio querer, quer tanto que acorda mais cedo e dorme mais tarde. o sono foi dormir antes da gente, só porque o outro não respondeu a ultima mensagem.

ser ansioso é às vezes ter medo de si mesmo, é pensar que ando sentindo demais, ou me culpar por achar que não estou sentindo tanto.

é pensar o tempo todo que melhor fugir, deixar pra depois, que continuar nisso e se machucar outra vez. é relembrar frequentemente das minhas marcas, é sentir o corpo pesado, é ter vontade de se trancar mas perceber que a minha intensidade esquenta o meu peito, e eu preciso continuar.

é querer ficar, mas ao mesmo tempo querer partir. não por indecisão, ou algo assim. mas por achar que a gente sempre fica só. é olhar o outro disponível, e eu aqui, imaginando que só porque não falou comigo, deixou de me querer. é achar, o tempo todo, que eu vou perder quem eu amo. mesmo sabendo que a prioridade

é não me perder. é toda vez que tento me envolver com alguém, me sinto assim, tropeçando nos meus próprios pensamentos. e isso nada tem a ver com medo de me apaixonar, ou de ser intenso, porque sempre sou.

o receio é de perceber que o outro pode ir embora a qualquer momento e eu não quero mais uma vez passar por isso, e às vezes pra evitar, eu que vou.

ninguém dorme amando alguém e acorda deixando de amar.

por um momento eu me questionei: como pode ser amor se estou abrindo mão? como posso amar alguém se estou tendo que ir embora? a resposta veio quando olhei pro espelho e pra dentro de mim: a gente vai embora não por deixar de amar alguém, mas pra não perder o amor por nós mesmos.


ninguém dorme amando alguém e acorda deixando de amar. a distância, a falta, a irresponsabilidade, tudo isso machuca. essas coisas afastam o amor. e aos poucos ele se transforma em algo que não vale mais a pena ser sentido ali. naquela relação. com aquela pessoa. então você parte. 


mas não por essa ser a sua vontade, e sim, por parecer ser a coisa mais certa.

é que quando você descobre a leveza que o amor é capaz de proporcionar na tua vida, de dentro fora do teu corpo, você entende que não precisa se submeter a qualquer relação que te tire a paz. e é por isso você vai embora. mesmo amando.



e é assustador quando chega o momento
 em que você percebe que não ama mais aquela pessoa que por tanto tempo, achou que fosse o amor da sua vida. ou pior, que ainda ama, mas não dá mais.

é incrível como as coisas mudam, como o amor muda, nem sempre a gente fica com ''o amor da nossa vida'', um dia a gente percebe que amores da vida não doem.


e você vai entender o significado do amor quando precisar recolher o seu e seguir a sua viagem. sozinho. mesmo sem deixar de querer, mas precisar não querer mais porque dói ficar, dói querer, dói continuar amando aquela pessoa. a dor de partir parece melhor. e às vezes é.