Não consigo me apaixonar de novo e a culpa é sua.

21:26:00 Iandê Albuquerque 11 Comments



Ontem conheci um cara que também gostava de Guns N' Roses mas que também gostava de música acústica, que adorou os meus olhos e que também disse que o meu cabelo tinha cheiro de rosas vermelhas, que também  tomava cerveja com a mão esquerda mais que também escrevia bobagens no guardanapo com a mão direita.  
Ontem conheci um cara que também sorria pra mim com o canudo na ponta da boca quando tomava água de coco, que também mordia os lábios e deixava o olhar feito flecha pra me capturar, que também passava a língua no canto da boca, que falava sobre programas de TV, animais e sobre a vontade louca dos meus beijos. Ontem conheci um cara que também me abordava com beijos na testa, na orelha e em meu ombro. Eu sei que não parece tão romântico, mas esses beijos dizem tanto sobre o que os outros querem de nós, sabe? Ontem eu conheci um cara que também segurava a minha mão enquanto acariciava as minhas bochechas, que também tropeçava na mesa, que também saia de perto de mim pra falar ao celular e que estava prestes a foder a minha vida, como você fodeu, entende? Ontem conheci um cara que falou de amor e - não teve jeito - me veio você na cabeça. O sorvete tinha gosto de você, a pipoca do cinema tinha gosto de você, qualquer sorriso era meio moldado à você. Eu criei essa mania de usar o medo como fuga para não me envolver. Eu tento comparar tudo que pode ser até melhor do que você foi pra mim, mas não enxergo. Não enxergo porque só percebo os deslizes e perco todo o encanto por culpa dessas criações traumáticas que você me trouxe e ainda não evitei. Eu vou e acabo levando outros corações comigo. 

Por mais que ainda lembre de você e por mais que eu ainda sinta, lá no fundo, tudo que você foi pra mim, não digo. Eu senti pelo ar que saia de sua boca, pelos olhos perdidos quando eu não achava graça das piadas, e pelo calor que suava suas mãos, que ele também queria entrar na minha vida e eu tranquei tudo como se ele fosse uma nova possibilidade de despedida, daquelas que doem e a gente não sabe como se comportar em outros braços. Conheci um cara que também segurava a minha mão enquanto acariciava as minhas bochechas, que também tropeçada na mesa, que também me ligava pra saber se eu cheguei bem ou se tinha almoçado na hora certa, e que também me chamava de 'mô. Conheci um cara e até estava curtindo o som que ele fazia ao meu lado,  eu até estava me empolgando nos olhos dele e cavalgando nesses lábios em destino ao seu coração. Até dei corda pra ver onde ele me levaria, e abri o meu mundo pra ele dar umas piruetas. Complicou quando o lugar que ele me levaria tinha você e o mundo que eu abri pra ele piruetar, era aquele que eu guardei quando você se foi. 

Ainda sou aquela, que perde o amor, mas que, com muito esforço e esmero de si, procura não se perder nem sair da rotina, sabe? Você me pergunta porque eu não te aceito, mas é que eu prefiro que os outros saiam de mim por escolha do que ficar em alguém sem ter efeito algum. Prefiro perder um momento (antes que se eternize) do que perder toda uma história. 

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