Deixe-o ir.

14:15:00 Iandê Albuquerque 6 Comments

É perceptível que vocês tem uma atração intensa e que sempre estão alimentando isso, por mais que tentem seguir outros caminhos, por mais que encontrem outras pessoas, tenham outras vidas e vivam em realidades distintas. Mas se fosse mesmo pra ser, teria sido faz tempo. Essa coisa de ir sem pretensão de voltar e voltar já pretendendo ir, acaba adiando uma dor que vocês ainda insistem em sentir. Tudo bem que vocês tem uma ligação forte, que se sentem atraídos um pelo outro facilmente, mas isso não é desculpa. Você tem medo de não conseguir se manter num caos que você acha que pode viver ao abrir mão dele, mas isso que você vive já é um caos. Essa sensação que você sente ao estar com ele talvez não compense o vazio que você sente quando ele não está. Ou compensa?

Nem você tem tanta certeza assim de que ainda é amor, mas quer ficar com ele simplesmente porque sente que deve ficar, porque você pensa que ficar com ele é melhor do que viver sem, que chorar com ele é melhor do que sorrir sem. E às vezes as coisas não funcionam assim. A gente precisa prezar pela felicidade da gente e do outro. Quando a gente ama, não necessariamente a gente tem que ter o outro em nossas mãos, o outro é o outro. Sempre vão existir escolhas diferentes porque as pessoas são diferentes. Sempre vão existir opções e caminhos pra ficar com alguém quando se ama e vocês não deviam escolher os caminhos mais fáceis, como sempre tentar uma reaproximação dependendo de um novo afastamento, quando isso fere e no final das contas, não satisfaz vocês. Ele já não consegue te suportar, te manda mais pra puta que pariu do que diz te amar, ele prefere ficar longe de você porque diz que perto vocês nunca se entendem. Ele diz que acabou, você chora, até concorda com o fim, mas uma semana depois surpreende os seus pais e os seus amigos ao aparecer com ele. Ele perde a paciência, manda você se foder, você retribui a gentileza, ele desliga a ligação, vocês se afastam e quando se reaproximam a primeira coisa que querem saber é se, durante esse intervalo de distância, rolou sentimento com outra pessoa. Não existe confiança. Tua amiga te aconselha que é melhor parar, teus pais te dizem pra ter paciência e saber perdoar, aquele amigo da faculdade que quer ficar com você diz que é melhor não insistir mais nisso. Você se confunde toda, mas resolve vê-lo de novo, dar mais uma chance.

Ele visualiza tua mensagem, não responde. Você reclama, ele avisa que é melhor você parar. Você odeia quem te pede pra parar e não te responde, ele te chama de louca, você o chama de babaca, a sexta-feira acaba e vocês decidem sair sozinhos. Por que vocês não se pertencem e insistem tanto em pertencer? Você acredita que ele pode mudar, ele vai lá e te prova mais uma vez que não. Você confia que é verdade, depois descobre que a verdade que ele te contou não era tão inteira assim. Essa relação complexa que vocês criam pra se sustentar em algo que não tem base alguma pra se manter de pé não é nada mais do que uma falsa relação que vocês criaram do amor e uma confusa visão sobre a reciprocidade. Ele prefere você sem batom vermelho. Sempre que vocês brigam ele te faz entender que você está sempre errada. Ele te faz se sentir burra, feia, estúpida. Ele faz você achar que ele é a melhor companhia pra você, e que se você acabar com ele, nunca mais terá alguém melhor. E quando você conquista algo, ele não se sente tão confortável como deveria sentir. E então você se convence de que a história que vocês vivem é bonita e que tudo o que já passaram vale a pena continuar.

Ele aparece quando tem tempo, ele te liga quando pode - e nunca pode ligar -, ele te beija olhando pros lados, ele tem receio em te dar as mãos na rua, ele só aparece quando você é a última e única opção. Se você acha que é feliz com tão pouco, desejo que realmente sinta o amor e jamais mendigue sentimento do outro, jamais implore por presença ou tolere tamanha ausência assim. Desejo um amor que te faça acordar mais cedo ou dormir mais tarde - dependendo do dia -, que te suspenda pro alto no meio rua, que não se importe com o que as pessoas vão pensar de vocês, que jogue os braços por cima de você, te perturbe, que encare quem te encarar até que entendam que o teu sorriso tem dono, que te aperte até te deixar sem graça, que te sufoque com um beijo demorado e que te dê as mãos mesmo sem ter a certeza pra onde ir, sem se preocupar com qualquer limite.


Ele já ameaçou várias vezes ir embora, então abre de vez essa porta e deixe-o ir. Quando ele notar o que a tua ausência é capaz de fazer, vai ser tarde demais. Se vocês acham que, realmente, se fazem bem, boa sorte. Mas se ele não é tão suficiente assim, deixe-o ir.

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