Hoje pensei em você.

19:32:00 Iandê Albuquerque 4 Comments

Hoje pensei em você. Pensei em como poderia ter me esforçado pra te fazer sorrir, em como poderia ter te ligado e não ter te deixado partir assim. Pensei em como seria fácil resolver nossas confusões que a gente tanto complicou. Pensei em todos os dias que eu te deixei sem respostas, em todas as vezes que desliguei o celular pra não ouvir a tua voz e agora não ouço nem você ligar. Pensei em como eu poderia ter tido paciência pra te explicar.


Pensei em como fizemos do amor um jogo e em como nos enganávamos que o nosso amor sobreviveria a todos os descontroles e brigas que criamos. Pensei em tantas vezes que, por egoísmo ou orgulho, não tentamos resolver as coisas. E me doeu pensar que o culpado disso não foi o amor, nada existe coisa de que simplesmente não deu certo. O que me dói mais é saber que o amor não morre, que a nossa história não irá se apagar, que os teus beijos ficarão em mim como os meus abraços ficarão contigo. O que me dói mais é saber que caminhamos juntos uma estrada longa pra caralho, que nunca desistimos de tentar e talvez por não desistir de tentar, continuamos com os arranhões sempre justificando nosso amor com os nossos bordões clichês e prometendo um ao outro que enquanto houvesse amor não desistiríamos de nós como se o amor fosse o único motivo pra ficar. O que me dói mais é saber que não vou te esquecer e sei que você não esquecerá de mim também, que apesar da distância, os nossos sorrisos são os mesmos e que agora, só agora, serão desviados a outra pessoa. O que me dói mais é saber que eu te dei colo, que te dei tudo de mim e que nos doamos em vida, mas agora, você está longe de mim e já nem sei se estou tão bem quanto você.


Hoje pensei em você. Pensei em como poderia ter perdoado e no quanto você deveria ter se esforçado pra não me machucar outra vez. Pensei nas palavras que poderíamos calar, nas frases que poderíamos não falar e nos textos que poderíamos evitar. Pensei no que exatamente você foi pra mim e acabei sorrindo baixinho, sabe? Pensei na tua mania irritante de olhar o celular a todo momento e em como eu poderia reagir pra não estragar a noite. Pensei na cara que você fazia e no susto que eu sempre tinha ao ver você parado olhando em meus olhos e tentando mergulhar sempre mais fundo. Pensei nas vezes que tomei o celular da tua mão feito louca enquanto você ria e fingia conversar com alguém só pra me irritar. Pensei nas almofadas que você roubou de mim, na sua sandália que usei pra ir ao mercado porque não queria perder tempo procurando minhas havaianas e queria fazer uma surpresa singela antes que você acordasse. Pensei no jantar a luz de velas que fiz pra você, com beijos sinceros e molhados, com olhos em cometa e vontade de te pedir em casamento toda vez que você me fizesse rir. Pensei em você, em como cê abraçava os meus sobrinhos e em todos os impulsos que evitei de te preparar uma vida, dois filhos (a Bruna e o Kauê) e ter um cachorro com nome de personagem de desenho animado.

Hoje pensei em você. Pensei em como poderíamos estar juntos pra continuar assistindo aquela trilogia. O último filme estreia na próxima semana, e onde está você? Hoje pensei em você, pensei no nosso amor que foi intenso pra caralho ao ponto de me deixar confuso sem saber se o destino me mostrou você e é com você que devo ficar não importa as circunstâncias, ou se o amor aceitou o nosso fim e eu devo aceitar também. Pensei no nosso amor que foi profundo pra caralho ao ponto de me deixar duvidando de qualquer amor que viria e pondo limites nos amores que poderiam ser tão intensos quanto você, mas que por sua culpa, não os aceitei completamente. Pensei no nosso amor que foi forte pra caralho, que me deixou frustrado e despreparado pra qualquer amor incondicional. Pensei em quando vou poder, de uma vez por todas, amar da forma mais generosa e quando você vai parar de se envolver em outros peitos pra tentar me esquecer. Pensei em nós e doeu, mas pensei também no que poderemos ser agora, pra quem poderemos ser daqui pra frente, e no que poderemos fazer pra não errar com outra pessoa, como erramos com a gente.
Hoje pensei em você. Pensei em como você estava levando a vida sem mim, pensei se o meu pensamento conseguiu chegar até você como nos dias em que eu te ligava e você me dizia que estava pensando em mim. Pensei que agora não há mais o que fazer, que não há mais nenhuma conexão entre nós, que você deve ter encontrado alguém pra te fazer sorrir porque nos últimos meses só te fiz chorar, e me desculpe por isso. Pensei se ainda curtia comentar com as amigas sobre o Barman ou se já descobriu que quando eu dizia que ele era Gay não era só por ciúmes. Pensei em você e não há nada que aconteça que faça a gente voltar, pensei que não há de existir você em mim porque o que sobrou aqui são só esboços de nós dois, são só rasuras e borrões que nunca conseguimos terminar e sei que não há mais nada de mim em você além das marcas que deixei em tua vida e que um dia alguém há de cobrir.
Hoje pensei em você. Pensei se você ainda lembra de mim ao olhar o canto esquerdo da cama, se aprendeu a fazer sanduíches como os meus, ou se encontrou alguém que consiga deixar o ovo mal passado sem gosto de cru. Pensei se você ainda tem enjoos de perfumes doces, se ainda pensa em noivar na praia, casar no campo e passar a lua de mel em Paris. Se ainda frequenta aquela cafeteria que a balconista sempre elogiava a gente e dizia que nossos sorrisos pareciam um só, ou se pensa em apresentar o Bar que costumávamos ir pro seu novo amor, se vai sentar na mesma mesa que sentávamos ou se também vai ensiná-la a comer o Sushi com aqueles malditos pauzinhos.

Hoje pensei em você, pensei se nesse momento cê está assistindo a sua série favorita, se está ouvindo Coldplay ou se caminha por aí de mãos dadas com alguém que converse sobre Zombies ou Vampiros e cante Yellow com você. Pensei em você ao olhar os ursos que me deu, ao ler as cartas que escreveu pra mim, ao ouvir todas as músicas que cantamos juntos. E não sei exatamente o que me dói mais, se ainda é pensar em você, ou me deparar com todas as lembranças boas de um amor bom pra caralho e que, hoje, não está mais aqui.

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