Já não sou aquela trouxa que você conheceu.

20:16:00 Iandê Albuquerque 2 Comments

Apesar de não me importar mais, de qualquer explicação que você venha me dar não me convença, nem lhe vitimize de qualquer culpa, eu quero te perguntar por que você me traiu? Me traiu só por trair? Me traiu por que se sentia vulnerável e por que a gente não estava em uma fase tão boa? Me traiu quando na verdade não queria, mas o impulso foi maior que sua pessoa? Me traiu por que eu não tinha tempo pra você, é isso? Foi um soco no estômago. Você me destruiu, LI-TE-RAL-MEN-TE.

Eu não queria te deixar ir, e mesmo depois do nosso fim, eu continuava fazendo aquele meu velho papel de trouxa. Eu te cobrava, passava na tua cara tudo o que você não foi capaz de me dar. Eu me consumia, dia e noite. Perdia tempo, me desgastava por absolutamente nada. Você era irônico nas conversas. Se fazia de inocente, jurava de pés juntos que não fez nada por mal, e que a louca nisso tudo era eu, que a culpa de enxergar as suas canalhices e seu jeito escroto de ser, era exclusivamente minha. Você sempre o certo, sempre. Depois que acabamos, passei dias pensando em como não pensar mais em você, porque por mais que você tenha me machucado, era você quem eu achava que deveria ser. Depois que acabamos, juro, tentei me ausentar. Excluir o teu contato do WhatsApp, apaguei as suas fotos do meu celular, te bloqueei no Facebook e fingi que não lembrava do teu número. Só fingi. Tudo que eu queria era distância de você, não receber noticias tuas. Meus amigos me diziam pra deixar de ser trouxa. Eu pensava: ''Será que ele já encontrou outra pessoa?'', ''Será que está por aí, curtindo?''. Eu me preocupava com o que já nem tinha mais a ver comigo. Eu tinha medo de ver o cara que eu escancarei o peito e me permitir amar, com outra pessoa. Tinha medo de saber que o cara que eu achava foda, fodeu com tudo e já estava sorrindo com outra. Até que eu finalmente me encontrei, e esse medo passou, e te levou junto também.
Pra honrar o título de papel de trouxa, voltei atrás, resolvi te desbloquear no Facebook, adicionei novamente o seu número em meus contatos, me arrependi de ter excluído as fotos da nossa última viagem pro litoral do nordeste. Perdi algumas noites só pra ficar observando a sua última hora de visualização. E se você estivesse online, já era o suficiente pra que eu me sentisse péssima. Pensava: ''Ele encontrou outra pessoa, fodeu pra mim!'' Era difícil admitir que o cara que me fazia sorrir, se transformou no cara que só me fazia chorar. Que o cara acordava do meu lado, poderia estar dormindo com outra, e o pior nisso tudo, não fez o mínimo de esforço por mim. É difícil admitir que o teu amor não quer ser mais teu, e que apesar das lembranças, não adianta insistir, porque quanto mais insistência, mais dor se acumula. Eu ficava sem saber o que fazer, se saia ou se ficava em casa mesmo, dormia mais cedo, sei lá. A impulsividade tomava conta de mim, eu achava que a tua ausência tinha que ser explicada, que o seu sumiço tinha que ser esclarecido. E novamente corria atrás de você. Era difícil aceitar os fatos e acreditar que o cara que eu amava foi mesmo capaz de acabar com tudo, esquecer de mim e além de tudo me culpar por isso. 



Eu achava que você não tinha o direito de me deixar enquanto houvesse amor em mim, mas a verdade é que você tinha. Eu que não tinha o direito de perder o meu tempo por tão pouca pessoa. Eu não me sentia satisfeita com a ideia de que você estivesse livre enquanto eu ainda me sentia tão presa. E mais uma vez eu me importunava, começava o dia com longas conversas que não davam em absolutamente nada, muitas perguntas não eram nem respondidas. Você me xingava, eu te xingava de volta. Eu iria pro trabalho sem paciência. Enquanto eu não me decidisse de uma vez por todas e seguisse em frente, eu sabia que continuaria ali, parada, confusa.
Eu me perguntava: ''Por que você fez isso?''. Você falou pra eu me virar com os meus sentimentos. Você falava em tentação, dizia que a carne era fraca, e que simplesmente, não podia fazer nada se alguém insistia em ficar com você. O tempo passou e as lições da vida apareceram. Eu amadureci, já não sou aquela trouxa que você conheceu, já não tenho aquela ingenuidade tamanha, e você tem um pouco de culpa nisso. Talvez você já nem seja o canalha de antes, duvido muito, mas vai saber. A vida vai te mostrar quem fez a escolha errada e por favor, não a culpe se alguém te decepcionar como você me decepcionou, porque estarei aqui pra provar que oportunidades você teve, só não soube aproveitar. Você poderia ser o amor da minha vida, mas preferiu ser a minha maior decepção. Eu sigo em frente, caminho reto, sem nem olhar pra trás. As perguntas que um dia te fiz e ficaram sem respostas, deixa pra lá, já nem me importam mais.

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