Ainda penso em nós, menina.

21:32:00 Iandê Albuquerque 1 Comments


Eu preciso confessar que ainda penso na gente, menina. Eu ainda penso no teu beijo, porque eram neles que eu costumava esquecer o mundo lá fora. Ainda penso no teu cheiro, nos teus braços, eram neles que eu me jogava pra esquecer os meus problemas. Cê me fazia se sentir mais leve, entende?

Eu ainda penso na gente, menina. Só não ligo pra te dizer porque sei que você não vai acreditar, cê vai dizer que eu estou mais uma vez tentando te confundir. E eu não te culpo por isso, te confundir muitas vezes, eu sei. Mas entre um copo e outro de cerveja, entre um sorriso e outro numa mesa com os amigos, eu paro e penso em você.  Te levar em meus pensamentos continua doendo um pouco porque você não está mais aqui.


Cê pode até pensar que é mentira, é um direito seu e eu até te entendo, menina. Eu já menti tanto, que quando tentei te contar a verdade você passou a não acreditar. A verdade é que eu ainda penso na gente. Ainda penso em você com carinho, antes de dormir e quando acordo. Penso em todas as vezes que bati em tua porta pra te pedir desculpas por tanta bobagem, e quando precisei te pedir pra que ficasse, você já estava cheia de tudo. Eu também tô cheio, menina. Cheio de você dentro de mim.

Talvez você pense na gente também, porque não tem como simplesmente esquecer tudo. Não tem como colocar tudo que vivemos debaixo do tapete, depois de tudo que vivemos não tem como empurrar tanta coisa pro lado de fora, eu sei. É difícil admitir que não penso mais na gente e te olhar nos olhos  ainda dói. E pensar que, um dia, os seus olhos eram a cura pra todas as minhas dores.

Ainda penso na gente porque não tem como não pensar, desculpa. O teu sorriso era meu abrigo, teu abraço era meu afago, tua cama era o meu ninho, e você já foi a menina que eu tanto falei bem em rodas de amigos, a menina que eu me preocupava desesperadamente quando você adoecia - e você ficava doente com tanta facilidade quanto respirava -, você já foi também a menina que eu fiz chorar mas não queria, que eu decepcionei mas não merecia, que eu perdi e não deveria ter perdido. As chances que você me deu foram muitas, eu sei. Uma coisa eu posso te admitir, menina, que quando a gente perde alguém, a gente passa a enxergar o tamanho que esse alguém era na vida da gente, porque fica um vazio, fica um espaço enorme pra preencher.

Você já foi a menina que eu não me importava em esperar tantas horas pra você se arrumar só pra um prum passeio barato. Você já foi a menina que questionava os meus erros, mas sempre aceitava os meus defeitos. Já foi a menina que me apresentou os melhores lugares, dos quais eu vou até hoje - e peço pra não te encontrar, porque seria demais pra mim -. Cê foi a menina que me pediu muitas vezes pra parar quando eu insistia em machucar, que me alertou antes de partir, mas eu nunca acreditei que você seria capaz de ir embora, até que você foi.

Vou te falar, ainda penso na gente, é que não tem como não pensar quando uma das minhas camisas favoritas foi você quem deu, quando uma das minhas bandas preferidas foi você que me apresentou. Quando o celular toca ainda tenho aquela esperança de ver o teu número na tela e quando te vejo online fico desejando que, ao abrir a janela, você esteja digitando alguma coisa. Qualquer coisa.

Embora já tenha aceitado que acabou, que ficar sem você não é exatamente o fim do mundo, o meu coração é o culpado por continuar me lembrando de tudo. Eu me decepcionaria, confesso, se ele ousasse não lembrar do pedaço inteiro que você foi pra mim.

Leia também: