O que fizemos com a gente, moreno?

20:58:00 Iandê Albuquerque 1 Comments

Se a gente tivesse deixado de lado todo aquele orgulho e se ao menos um de nós tivesse cedido, talvez as coisas não tivessem chegado a esse ponto. Se a gente tivesse jogado menos e se entregado mais, fingido menos e se importado mais, fugido menos e aparecido mais, talvez se a gente tivesse dito tudo aquilo que saltasse do coração e deixasse aquele medo de parecer fraco pra lá, não teríamos, tanta coisa guardada, que agora, não servem de nada a não ser pra dizer: sinto muito.
No amor, a gente precisa correr o risco de dizer o que a gente sente mesmo tendo que engolir o silêncio do outro. A gente precisa assumir nossas escolhas porque sempre há de vir uma consequência. E a gente não assumia absolutamente nada por medo do que poderia vir. A gente poderia ter feito mais, você sabe. Eu tinha muito mais pra te oferecer, e acredito que cê tinha muito mais pra me apresentar também, mas a gente preferiu não arriscar, a gente preferiu deixar as coisas rastejando, porque nenhum de nós dois queria ceder, nenhum queria parecer vulnerável, nenhum queria levantar a bandeira branca.
Se a gente tivesse deixado de lado aquela rivalidade de quem ligava menos, de quem demorava mais tempo pra responder, de quem passava mais dias sem dar noticias, de quem conseguia suportar mais saudade por mais tempo, talvez, a gente tivesse dado em alguma coisa, moreno.
Eu esperei que você desse o primeiro passo pra eu seguir com o segundo. E o amor não é isso, cara. A gente não deve poupar nossas forças pra seguir com alguém. O amor não é um jogo de esperar que o outro faça primeiro. Eu acreditei em nós até o último segundo, moreno. Eu queria que tentássemos dar certo, mas não tinha como dar em alguma coisa quando a gente só tentava dar em nada.
Eu lembro de todas as vezes que pude fazer algo, mas esperei que você fizesse primeiro, das mensagens que escrevi mas escolhi não te enviar porque você estava online e poderia ter falado comigo também. Eu lembro das ligações que eu não fiz enquanto olhava pra tela do celular esperando que você ligasse. A gente sabia no que isso tudo iria dar, mas a gente preferiu continuar fazendo dessa história uma grande encenação, mesmo tendo consciência de que uma hora o espetáculo chegaria ao fim. 

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